A Terraprojectos...
Foi em 1999 que iniciámos o nosso projeto, acreditar nas potencialidades do setor agroalimentar português, apostando nele. Hoje, em parceria com os nossos clientes ― e porque também eles acreditam ―, estamos convictos de que já contribuímos para o reforço da sua competitividade, valorização e inovação, é esse o nosso permanente desejo.

06 Fev. 2017

PDR2020 – Uma oportunidade estratégica, se complementar e monitorizada

O sector agrícola e agro-industrial é fértil em incerteza. Se por um lado, os agricultores não conseguem controlar importantes variáveis da sua produção – a imprevisibilidade das condições atmosféricas, acontecimentos como catástrofes naturais, pragas e doenças –, por outro, os agro-industriais também ficam dependentes dessa imprevisibilidade a montante, actuando num mercado global em concorrência. Esta incerteza é um factor determinante no risco associado ao sector, e que condiciona decisões de investimento por parte dos seus agentes, sendo um dado basilar na sua análise, amplamente tido em conta pelos agentes económicos envolvidos.
Com o risco do negócio devidamente equacionado na valorização da sua actividade, os agentes empresariais do sector definem as melhores estratégias de financiamento dos seus negócios e das suas intenções de investimento. Um misto entre capitais próprios (muitas vezes quase inexistentes, no caso de alguns jovens agricultores) e capitais alheios – por norma o recurso a financiamento bancário ou linhas de crédito específicas. Paralelamente, resultando de uma estratégia europeia de desenvolvimento rural e da coesão económica dos territórios rurais, os promotores de novos investimentos no sector ponderam o recurso às medidas de apoio ao investimento no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020, nas suas variadas vertentes. Estas são o apoio ao investimento nas explorações, apoio ao investimento na comercialização e transformação de produtos agrícolas, apoio à instalação de jovens agricultores e restantes medidas de apoio. Todos os tipos de financiamento têm o seu custo específico. De uma forma simplificada podemos dizer que o capital próprio tem o custo de oportunidade; o capital alheio, o custo da dívida; os apoios comunitários, o custo administrativo e, com o novo quadro comunitário, o risco de, na avaliação dos resultados da execução dos projectos, a devolução dos montantes por incumprimento dos objectivos ou das obrigações associadas aos projectos.
Assim, mais do que uma forma de financiamento, relativamente acessível (foram incluídos, recentemente, limites mais restritivos aos montantes de apoio não reembolsável por promotor), estes fundos devem ser vistos como oportunidades de estruturar negócios e fortalecer o sector, não só pela disponibilização de verbas, para os agentes económicos incorrerem em investimentos de diversas ordens, mas também pela necessidade que incutem de estruturar ideias, apresentar projectos, licenciar actividades, consultar o mercado e interagir com diferentes entidades consultoras, com valias técnicas distintas.
Estes efeitos indirectos são por vezes desvalorizados face à sempre capital necessidade de financiamento. No entanto, são importantes fontes de melhorias nas organizações empresariais do sector, muitas vezes originadoras de melhorias internas e de desenvolvimento de oportunidades desconhecidas.
Este custo do financiamento através dos fundos comunitários, muitas vezes desvalorizado pelos agentes do sector, torna ainda mais importante o planeamento e controlo da actividade empresarial e dos projectos de investimento. A necessidade de executar, e controlar a execução dos projectos, que obrigam ao cumprimento de objectivos materiais, financeiros e legais, deve ser vista, não como uma imposição, mas como uma oportunidade de levar os negócios ou investimentos a bom porto e minimizar os custos de implementação dos projectos.
É então, nesse sentido, importante reforçar a estreita interligação que deverá existir entre promotor e entidades consultoras na definição de estratégias de negócio e na implementação de oportunidades de investimento, em estreita comunicação com as entidades gestoras e licenciadoras dos projectos, quer numa fase inicial, quer no acompanhamento de implementação do mesmo. A actividade de consultoria revela-se, assim, muito mais abrangente do que o mero preenchimento de formulários de candidatura.

Paulo Louro,
Economista – TerraProjectos
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