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26 Abr. 2017
Prisma - Agricultura Biológica Prisma - Agricultura Biológica

AGRICULTURA BIOLÓGICA: UMA “CULTURA” QUE SE ENRAÍZA NAS SOCIEDADES DE CONSUMO

 

No mês em que ficou disponível para consulta a “Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica”, Abril, na qual o Governo apresenta os cinco objectivos estratégicos e as dez metas a atingir no espaço de uma década, o tema “anda à solta” e as “gordas” desmultiplicam-se: “Portugueses vão ter app para procurar produtos Biológicos”; “Agricultura biológica ganha Federação Nacional”; “Mercado biológico cresce a ritmo elevado”; “Escolas vão ter produtos biológicos e Dieta Mediterrânica”; “AKI torna-se na primeira cadeia de distribuição a vender insectos auxiliares”; “Governo quer duplicar área de agricultura biológica”; “França importa 24% dos produtos de agricultura biológica que consome”; “Estratégia: 130 milhões para a agricultura biológica”; “Agricultura biológica é tema de conferência na Ordem dos Engenheiros”; etc. 

Se durante muitos anos se falava na “insustentabilidade” deste modo de produção – existindo até 2006 apenas um supermercado especializado em alimentação biológica em Portugal: a Cooperativa Biocoop – hoje, e pelo reconhecido esforço de muitos, o modo de produção biológico está em voga. Multiplicaram-se os espaços/ conceitos de retalho dedicados à alimentação saudável. Nas grandes superfícies, o espaço dedicado aos produtos biológicos aumentou (entre outras especificidades sem glúten ou lactose, direccionados para dietas específicas). Os “novos agricultores” trazem consigo novas dinâmicas e consciência da importância da sustentabilidade e da multifuncionalidade, daí que muitos projectos agrícolas se interliguem cada vez mais a projectos de turismo rural.

O número de produtores biológicos em Portugal tem vindo a aumentar durante a última década. Segundo a Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Dgadr), «em 2015, chegou aos 3.837». Também a tendência europeia se coaduna com este modelo de produção. «A superfície na União Europeia (UE 28) aumentou significativamente, tendo quase duplicado entre 2002 e 2014, passando de cinco milhões de hectares (ha) para 11,1 milhões de ha (+6% ao ano)», segundo a Dgadr. Ao nível do consumo, valerá a pena reflectir sobre o caso específico noticiado em França. De acordo com a Agricultura e Mar: «O mercado francês de produtos biológicos está a ser “vítima” do próprio sucesso. Actualmente, cerca de 24% dos produtos alimentares de origem biológica são importados». O barómetro Agence Bio de 2016 explana que são as frutas e os legumes que lideram as compras de origem biológica. Um dos principais motivos desta mudança/ crescimento prende-se com as aspirações das sociedades de consumo que, pela lei da procura, cada vez mais se identificam com este modo de produção, não só pelo facto das suas caraterísticas proporcionarem produtos mais saudáveis, mas também por se tratar de um modo de produção ambientalmente sustentável.

Princípios reforçados com a ascensão da geração millennials (nascida entre a década de 1980 e o início dos anos 2000), que está disposta a redireccionar um maior investimento para a sua ementa diária, partilhando as suas experiências de consumo ao segundo nas redes sociais. O mercado da comida saudável está a crescer e o apetite pelos produtos biológicos, está cada vez mais em voga em toda a fileira, desde as empresas de produção agrícola, às indústrias agro-alimentares, passando pelas novas formas de retalho e restauração.

Caso para dizer que cozinhar estratégias de marketing e comunicação para estas novas exigências, aos vários níveis, terá de ter – cada vez mais – a transparência da sua “naturalidade” como ingrediente fundamental no apimentar das expectativas dos novos consumidores globais.  

Gisela Pires
Marketing & Comunicação
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