A Terraprojectos...
Foi em 1999 que iniciámos o nosso projeto, acreditar nas potencialidades do setor agroalimentar português, apostando nele. Hoje, em parceria com os nossos clientes ― e porque também eles acreditam ―, estamos convictos de que já contribuímos para o reforço da sua competitividade, valorização e inovação, é esse o nosso permanente desejo.

22 Jul. 2019

SEREMOS FORMIGAS?

Chegou o Verão. Com ele as memórias de um tempo em que a rua era palco de todas as brincadeiras, sem limites, sem barreiras. Sempre me intrigaram as formigas, principalmente nesta altura. Em todas as casas de campo que conhecia - para além da minha, a dos meus avós, “tios e tias”, vizinhos e vizinhas - não se podia deixar qualquer migalha esquecida, porque logo elas chegavam e sem convite entravam. Pareciam saber-nos crianças que comeriam, com gulodice e à mão, tanta daquela fruta doce - cerejas, nêsperas, ameixas, figos, uvas, melancias, melão – e que dali, com sorte, restariam mais do que migalhas de pão.
Observava-as. Intrigava-me o alinhamento, a organização, os vários “carreirinhos” que culminavam na mesma direcção: para a migalha. Fosse ela pequena ou grande a azáfama era a mesma. Perguntava-me se tinham noção do “pouco e do tanto” que teriam, ou não, pela frente. Como as descobriam ali – às migalhas - naquela mesa, naquele chão? Admirava-lhes o esforço. Como conseguiam transportá-las? Nessa altura, na escola, tinha já aprendido que as formigam tinham a capacidade de transportar entre 10 a 50 vezes o seu próprio peso corporal. Como tinham traçado o seu caminho até lá e como regressariam a casa? E entre estas e tantas outras perguntas, a grande questão impunha-se, quem as liderava?
O tempo passou e ainda hoje me intrigam, não tanto no sentido de sobre elas procurar teorizações, mas na medida em que, ao observá-las, me despertam para o sentido, ou não, de tudo isto. Da vida. Do propósito delas e do nosso. Da organização em que, aparentemente, parecem viver. As formigas figuram entre os animais que atingiram um grau de organização biológica chamada eussocialidade - o mais alto grau de organização social dos animais presentes nas sociedades mais complexas e que requer três características: uma sobreposição de gerações num mesmo ninho, o cuidado cooperativo e uma divisão de tarefas (reprodutoras e operárias).
Andarão, de verdade, sempre alinhadas? Respeitarão as curvas e contracurvas que surgem na procura de alimento? Entre elas existirão também desigualdades, conflitos, corrupção? Será que se questionam, ambicionam, ou não? Discutirão, à sua maneira, a demografia das suas zonas, os seus campos de acção: inexplorados, abandonados ou esgotados? E a comunicação, evoluirá? E mais uma vez a pergunta basilar: quem, de entre elas, e de que forma define a estratégia do grupo?
Talvez seja esta capacidade de liderança silenciosa que me desperta a atenção, a admiração até, e me faz continuar a olhar também, silenciosamente, para elas. Comandar, orientar e incentivar uma empresa, um negócio, um grupo de pessoas com a visão de atingir um objectivo comum, parece-me hoje uma das missões mais difíceis, mas também a mais fundamental.
Não, não somos formigas. Deveríamos ser. Pequenas em si mas grandes no seu princípio: trabalhar, todos os dias e em equipa, para o bem comum. Que grandes são as formigas.
 
Gisela Pires
Marketing e Comunicação
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